GUI AMABIS


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Dois Inimigos
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Orquidea Ruiva
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Sal e Amor
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Swell
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Ao Mar
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Doce Demora
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O Deus que devasta mas também cura
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Imigrantes
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Para Mulatu
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Fim de Tarde
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MEMÓRIAS LUSO AFRICANAS

O balanço é do mar. Mas não é barquinho, nem bossa nova; são as caravelas que surgem num deslize de beleza e melancolia. “Memórias Luso Africanas” tem essa cadência desde a concepção e o título. Agrupa um conjunto de canções que se entrelaçam esteticamente como retratos em um álbum de família, num registro delicadamente auto-biográfico. Os parentes estão ali fotografados e enquadrados em diferentes molduras: pais e avós citados em letra e principais influenciadores do conceito de trabalho; mulher-voz principal de duas faixas; filha-inspiração de uma das músicas; irmão-referência no jeito de compor, produzir, samplear e desconstruir até reinventar. Amabis fez seu primeiro disco assim.
Produtor de trilhas sonoras para filmes como “O Senhor das Armas” e “Quincas Berro D’água”, Amabis trouxe essa experiência para o disco: os arranjos sugerem imagens de um filme em super 8 ou de uma projeção de slides, tudo quase sempre em preto e branco. É a voz dele quem canta a primeira faixa, “Dois Inimigos” – canção que introduz a atmosfera e convida o ouvinte a espiar no baú empoeirado de lembranças. “Sempre fui muito ligado às histórias familiares, talvez por ter uma avó materna muito carinhosa, com uma história de vida linda e disposição pra contá-la centenas de vezes aos netos. Com a idade, ela foi perdendo a memória, esqueceu tudo e ficou muda. Aquilo me bateu. Fiz as músicas deste disco buscando a sonoridade e memórias dos meus antepassados – portugueses e africanos”, explica o músico, que ainda assina quase todas as letras e toca guitarra, violão, baixo, teclado e programações.
O disco é solo mas a produção não é solitária, ao contrário: Amabis encontrou a tripulação ideal. Vozes e instrumentos de outros artistas ajudam a compor esse emaranhado. Criolo, mostra-se um cantor de primeira em duas músicas – “Orquídea Ruiva” e “Para Mulatu”, ambas escritas em parceria entre autor e convidado – e só faz crescer a expectativa pelo aguardado disco solo dele; Lucas Santtana canta e assina letra na inspiradíssima “O Deus que Devasta Mas Também Cura”, música de Dengue e Amabis; Céu empresta o timbre único para “Swell” – que faz a nau desviar para um saudável mergulho em mares jamaicanos – e “Doce Demora” – pura sutileza com ecos da música portuguesa –, além de fazer vocais de apoio em outras três; Tiganá interpreta “Imigrantes” com o tom preciso para uma letra sobre o choque entre etnias que gerou o DNA genuinamente mestiço do povo brasileiro; e Tulipa Ruiz, a voz mais festejada de 2010, acrescenta suas cores nas ensolaradas “Sal e Amor” e “Ao Mar”. Há ainda Siba fazendo coro em “Doce Demora” e a voz de Sinhá em poesia na faixa “Orquídea Ruiva”. No time de instrumentistas, mais um monte de craques: os bateristas Curumin e Samuel Fraga, o saxofonista Thiago França, o baixista Marcelo Cabral, o violonista Rodrigo Campos, o guitarrista Régis Damasceno e o percussionista Maurício Alves emprestam ritmos, notas e harmonias como remadores de um mesmo barco que desliza num andamento fluído e contínuo.
Como marinheiro de primeira viagem solo, Amabis surpreende em “Memórias Luso Africanas”: seu navegar é preciso pelas águas perigosas de saudosismo, intimidade e reflexão pessoal. Terra à vista!

Ramiro Zwetsch / Radiola Urbana / Março-2011

Ficha Técnica e Letras

01- Dois Inimigos (Gui Amabis)
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Gui Amabis: Voz, teclados e baixo eléctrico
Thiago França: Sax tenor

Eu nasci trinta e quatro anos faz e a febre sempre está nos postais.
E pensar em meus pais e meus avós, que sou dois inimigos em um só.
E a batalha continua franca e aberta, só que agora trava na goela.
Tanto faz quem inicia a paz, contanto que ninguém volte atrás.

02- Orquídea Ruiva (Gui Amabis / Criolo)
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Criolo: Voz
Sinhá: Voz feminina
Regis Damasceno: Guitarra baritono
Gui Amabis: Programação, teclado, guitarra, violão, baixo elétrico e coro.

O amor vai encontrar só quem é capaz de amar
Quer ser freira ser vadia
Ser escrava e ser rainha
Toda mulher tem assim um que de provérbio chinês

Quando sonho com você
Tenho medo de acordar
Quem descansa ao teu lado
No aconchego desse quarto ouvir minha boca sussurrar
Teu nome

Quando quiseres me ver e alguma coisa atrapalhar
Você vai perceber que a verdade nua e crua vai fazer alguém chorar
O teu par

Quando lembo de você
Dá vontade de gritar
De saudade de alegria
Por saber que nossas vidas dividiram caminhar
Dividiram caminhar…

O amor vai encontrar só quem é capaz de amar
A morte, amor, é só uma passagem
Por favor meu bem não chore
Eu estou em um bom lugar


03- Sal e Amor (Gui Amabis)
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Tulipa Ruiz: Voz
Céu: Vocais
Curumin: Bateria
Gui Amabis: Baixo, teclado e programação


Acordei e peguei no sono
Vesti a fantasia e virei um bobo

Quantas versões se tem para viver

Encontrei um ser humano estranho
Agi com ironia e troquei de pano

Quantas versões se tem para viver

Foi num baile semi estudantil
Não sei bem quem chegou e quem foi que saiu

Quantas versões se tem para viver

Vi o louco resistindo pouco
Tomou outra linha pra viver o sonho

De ser alguém que ele queira ser

E traga sal e amor pra me benzer


04- Swell (Gui Amabis)
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Céu: Voz
Dengue: Baixo elétrico
Samuel Fraga: Bateria
Gui Amabis: Programação, guitarra e baixo elétrico


Mergulho e sinto as ondas
E junto vou quebrar
Na espuma que o sol ataca, transpiro tô no ar

E subo em vôo solo
Pra logo derramar
Nos cachos dos seus cabelos, encontro meu lugar

E vou correr por toda a tua pele
Tentando encontrar um poro aberto
Pra me infiltrar, em vocé


05- Ao Mar (Gui Amabis)
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Desse jeito não vai rolar
Com tanta onda pra furar
Não vale a pena trabalhar
e não ter tempo de te amar, te amar...

Seja o que for eu fco aqui
Pra onde vou sem você vir
Um mundo novo a se abrir
Tamo na febre de sorrir, sorrir…

06- Doce Demora (Gui Amabis)
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Céu: Voz
Siba: Coro
Dengue: Baixo elétrico
Maurício Alves: Percussão
Gui Amabis: Programação, guitarra e violão


És minha rosa
Linda pequena
Doce Demora
Linda Morena

E vai florir
E vai voar
E vai pedir
Pra retornar

Rosa vem brincar
Venha pra dançar



07- O Deus que devasta mas também cura (Dengue, Gui Amabis, Lucas Santtana)
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Lucas Santtana: Voz
Dengue: Baixo elétrico
Samuel Fraga: Bateria
Gui Amabis: Programação e guitarra


Um vídeo de celular
Retrata um dia depois
o caos de um dia atroz
Quando a cidade parou
Por causa da fúria de um deus
Que fez ainda pior
Muito assustadoramente
Revirou gavetas, onde amor e letras
em fotografias é o que nos valia e nos aquecia

Carro sobre o alambrado
Pista coberta de barro
Bancos e escolas fechados
Quando a cidade parou
Por causa da fúria de um deus
Que fez ainda pior
Muito assustadoramente
Revirou a casa, esvaziou o armário e levou a mala
para sabe alguém aonde isso dá?

Há de florescer o jardim de plantas e papéis
essa luz sobre o jardim vem de uma estrela
ó sol! proteja o menino

08- Imigrantes (Gui Amabis)
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Tiganá: Voz
Céu: vocais
Rodrigo Campos: Violão
Thiago França: Sax tenor
Gui Amabis: Programação, teclado, violão e baixo elétrico


Vou me embora eu daqui porque aqui já não tem mais flores não
É irmão contra irmão, é o espinho da intenção
E num dia ele te olha e te beija e no outro vira a mão
Despejando ingratidão sobre a cova da ilusão

09- Para Mulatu (Gui Amabis / Criolo)
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Criolo: Voz
Marcelo Cabral: Baixo acústico
Maurício Alves: Percussão
Gui Amabis: Programação, guitarra e teclado


Eu jurei que ia voltar amor
Eu jurei que ia voltar amor

Mas nessa situação
A cor da pele pegou
A perna tinha que correr
A inocência acabou

De um ventre livre nasceu papai que me criou

Eu jurei que ia voltar amor
Eu jurei que ia voltar amor

Mas nessa situação
Mama fugiu de senhor
E a correnteza levou Mama pros braços de amor

Minha voz se formou quando a paixão se espalhou

10- Fim de Tarde (Gui Amabis)
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Céu: Vocais
Gui Amabis: Programação e guitarra